Olho-me. Miro-me obcecadamente. Intrigado descubro sempre qualquer forma nova, qualquer traço mais ou menos jovial. Revejo o que vejo num a ventosidade aleatória, num turbilhão de códigos binários e ADN. Minha face, minha alma, transmitem-me o que mais ninguém consegue. Intreperto-me com os olhos. Desfasando trilhos desconhecidos, caminhos por desvendar. Sou o mais velho amigo de mim mesmo. Mas não me conheço. Mudo graças a um ritual biológico precioso. Comecei a ver-me:
Já um rapaz com rugas. Brechas quebrando cara, essência e esperanças. Rasgando-as interruptamente, como numa tortura que só sinto ocasionalmente. Tou feio. Medievalmente tosco, feições pré – Neanderthais, traços bárbaros. Lembro-me de ser giro. Giro, simpático e meigo. Agora sou apenas mais um. Um ogre anidro de sentimentos, desprovido de amor, sendo carregado por um vulto gélido.
Sim a vida, o sofrimento inerente a vida tem essa problemática, esse poder de transformação . De transfigurar o Bom. De transformar tudo isso numa óssea e rija carapaça de arrogância e altivez. Alguém se pode orgulhar de algo que sonha mudar quotidianamente? – não. E muito menos eu. Não me orgulho de apenas eu me conhecer por inteiro. Encaro todos os dias um papel. Já tentei que a sociedade de ajustasse a mim e o fracasso conduziu-me à mais incessante peça de Teatro. Mudo de carácter consecutivamente e escondo a luz. Reservo a luminosidade da minha alma a uma fatiota ridícula que uso sem preceito justificável. Escondo-me num dos ocultos escapes do fantoche e aí vejo que sou apenas mais um mero servo de tantos outros. E existem condicionantes pré-concebidas no ser Humano que o levam a acreditar no que as pessoas, esses monstros sociáveis, nos transmitem fisicamente, aparentemente, materialmente e só seguidamente, e depois de algum tempo vêem realmente a parte mais primordial de nós. Aquilo a que chamamos de interior. Até haver um iluminado, vivemos, vivo ostentando os insclarecidos ornamentos de um heterónimo que usamos por mera conviniência. Ninguém é excepção. Penso até que sou o mais guarnecido jovem. Tenho inúmeras figuras dramáticas que convoco, mediante o acontecimento, a palco. Considero-me mais ignóbil sinal de uma torpe mudança na sociedade. Sou alto, assim como tantos outros, mas acendo vir a ser , a chegar, mais longe do que a minha arte e capacidade conseguem alcançar. Ouvi uma vez um velho que já só espelha a sua ressequida sabedoria quando o seu último neurónio, que navega, sem rumo bate contra as paredes cranianas. Ele disse-me que em toda a sua vida comparara o homem ao barro. Disse que somos moldados por muitos factores exóticos mas que só um é de responsabilidade nossa. Tento ser moldado por alguém. Um artista proeminente que me releve, mas nunca serei capaz de me revelar a alguém. Ninguém merece conhecer os calabouços dos meus já tíssicos passados. A vida é efemera. Tudo passa rapidamente, até mesmo o amor, o maior amor das nossas vidas, o mais portentoso relacionamento amistoso, até mesmo a morte é demasiado rápida para o tempo que esperamos por ela. E eu não quero ser mais um veloz indigente de uma peça com um único acto. Tenho sonhos e esperanças, planos e ambições que requerem calma. Quero estender a minha rectidão e prudência a quem sentir privação das mesmas. Preservar o meu nome nas memórias alheias. Recalcar a minha história marcando-a nas linhas do inesquecimento. Pois no fim desta escalada a que chamamos vida, quando chegarmos ao cume da montanha, quero ser uma das mais bem moldadas obras de arte.
Se Voce tem realmente 16 anos voce escreve muito bem. Parebens. Gostaria de ver mais do seus textos
ResponderEliminarMuito Bom :)
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