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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

5 euros

valor, o que uma pessoa ou coisa vale.
valoroso, que tem valor moral.

Valores são referências que uma pessoa aprendeu a tomar como importantes. Podem ser princípios por que nos guiamos ou objectivos que almejamos. Enquanto que para uns a riqueza e o poder são importantes, outras podem achar que a amizade e o bem comum têm maior significado. Antes de entrarmos para a escola, nós crianças de 4 anos já absorvemos conceitos básicos de moral, fé, rectidão e desenvolvemos o gosto pelo dialogo e pelo convívio. Aprendemos a tomar decisões seguindo o exemplo dos nossos pais e imitamos-os em tudo, desde do simples facto de se sentarem e estarem à mesa até á maneira como se relacionam, das discussões, ao fazer as pazes. Obedecemos portanto a uma absorção lenta proporcionada pela socialização e enculturalização que a nossa família nos emprega. É essa socialização que nos guiará emocionalmente por toda a vida. E são tão fortes essas ligações que mesmo que as pessoas empenhadas em rejeitar os padrões que lhes foram previamente imbuídos continuam a ser influenciadas por eles. O ser humano, a família, continua a basear os seus métodos de educação inconscientemente e muitas vezes contra as suas intenções no que lhes foi educado pelos pais. Mais uma prova de como o que aprendemos desde de pequenos se perpetuará indefinidamente pelo resto das nossas vidas. A estrutura da família distingue o homem de todos os outros animais, de todas as outras criaturas. Porque somos nós mesmos, humanos sem o saber, que retemos nossos filhos muito para alem do tempo necessário para estes serem independentes, criamos laços extremamente fortes e recalcamos tudo o que fazemos na memoria indubitável de uma criança que não pode fingir que é adulto. Os animais mais dedicados ensinam os filhos a criar a sua própria autonomia, esquecendo os pais de seguida. A mãe águia ensina a cria a voar, para depois esta se lhe esvoaçar por entre as garras esquecida de que já teve alguém que a criou. Mas o homem fica junto dos seus filhos do principio ao fim, até á morte até á sepultura. Minguem é passivel de ser condenado pelos maus padrões que lhe foram incutidos. Não é justo condenar quem foi moldado sem o saber. Não podemos condenar uma águia bebe por não saber voar, se não foi instruída para tal. Ter os instrumentos para praticar uma arte não significa que se pratique essa arte. Para usar os instrumentos é necessário saber usa-los. E mesmo que uma pessoa tenha um conduta normal por dentro estará sempre um vulto gélido a afagar-lhe o coração com mão venenosas, esperando um deslize para descarregar toneladas de um pó insolúvel ás lágrimas de uma alma molestada, fazendo com que a vida tenha apenas um significado, que a vida seja meramente respirar. Respirar para levar oxigénio a um cérebro que já não pensa e a um coração que já não sente. Levar oxigénio apenas porque este é necessário. Necessário não para viver. Por não há vida para um alguém que já não pensa nem sente. Somente necessário para sobreviver. E não podemos culpar um homem que já não tem forças para lutar contra as suas origens. Não podemos condenar à forca um pessoa que já se esta a sufocar à algum tempo sem dar por isso. E que só o sente quando bate no solo. Quando deixa de estar naquela nuvem perigosa e instável da normalidade abstracta e desce cortando emoções e sonhos, ambições e desejos numa queda livra até embater no pântano que se chama realidade. E se a gravidade que é a tristeza e falta de alma continuar a exercer a sua força, o nosso já vazio corpo começa a embrenhasse no lixo. Começa a sufocar porque não consegue respirar num mundo como este, não consegue sonhar e recarregar forças num mundo que lhe suga tudo. E se os valores são importantes, aqui já não significam nada pois simplesmente não á nada para eles influenciarem. Não há essência, nem alma, nem personalidade. Não serão os valores que tiram alguém da lama. É uma corda, um auxilio. Não há valores.
E enquanto uns bramem por dinheiro eu lanço gemidos cortantes em busca do meu ser perdido. Quero de volta aquilo que me foi retirado pelos fados. E assim que o encontrar, nesse momento secarei o pântano que me envolve e  voarei seguido pelos valores que realmente me são necessários, aqueles valores sentimentais que preciso, e que vou buscar a quem não me é nada geneticamente, aqueles que me fazem ser dono do mundo. Te-lo á minha disposição e escolher fazer com ele o que quiser, obter o que preciso e mesmo assim ter forças para carrega-lo na palma da mão. A vida são várias fases. Condicionadas por vários acontecimentos. E Se destruimos um e mais outro e seguidamente outro sonho, se  conscientes desse inexorável desgosto mesmo assim expomos-nos a pessoas que remetem ainda mais os sonhos que ainda restam, as esperanças que prevalecem a outros desgostos por serem futuros intocáveis é porque os nossos serão sempre os nossos, quer queiramos ou não. E se Inplodimos rebentando por dentro então anteriormente muitas replicas de explosões se sucederam. Mas ninguém quis saber delas.

Ninguem pode culpar e apontar dedos, levantando a voz como para dizer que são maiores e melhores a uma pessoa que desde que se conhece como gente carrega uma montanha demasiadamente pesada nas costas e que mesmo que esteja já á algum tempo de joelhos,  ainda é punido com chicotadas nas coxas até cair e ser esmagado pelo peso que suportava tão bem no inicio da vida, pois nessa altura ainda tinha a esperança que um dia essa montanha podesse desaparecer. Mas não desapareceu, deixando-o continuadamente esmagado.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Incêndios


Verifico que o estado continua impávido, obedecendo a um plano de reorganização territorial inexpugnável e intransigente, mesmo tendo posse de exorbitantes números que mostram hectares de vida, futura e cultura incinerados todos os Verões. Ficamos todos os anos maravilhados com as cores do fogo.
A plantação indiscriminada e pouco selectiva remete os pinhais portugueses a uma constituição meramente eucaliptal. Oh eucaliptos, como fósforos secos à espera de serem riscados, são um barril de pólvora que seca os lençóis freáticos e carboniza verdes pastos.
Medidas terão de ser viabilizadas e a prevenção é sempre a melhor maneira de conduzir o futuro para o melhor caminho. Mesmo que sobre a natureza incidam interesses politico – económicos é necessário penalizar aqueles que não limpam e disponibilizar Mao - de –obra. Vemos soldados e bombeiros bramindo de cansaço tentando corrigir um erro pré- cometido enquanto poderíamos ir buscar condenados às prisões para efectuar a preventiva limpeza das matas, para que assim também a desculpa fosse inexistente.
O Co2 já esta de tal forma entranhado nas nossas memorias que se os fogos demorarem a deflagrar de certo virá um português cumpridor dos costumes e ateará fogo sobre vida. È a realidade que não nos abandona e agarramos-nos, formando um complô de indissociabilidade e interdependencia, com o monstro que nos dá mais um aborrecido assunto para discutir. Um daqueles temas que o saloio português adora debater e lamentar sem sequer se preocupar com a mata seca que envolve a sua casa O que ele quer é que lhe acalentem a vida e depois todos puxam a sardinha para o seu incendio.
È necessário que os representantes, que nomeamos atraves do voto eleitoral, assum a sua tarefa  por uma única vez nos seus mandatos apliquem medidas, subestimando a um nível rasteiro os interesses das multi nacionais de fabrico de papel e de construção civil nos incêndios. 


Estava o Chefe de uma tribo canibal, nervoso, à porta da tenda. Nisto, ouve-se um choro vindo da tenda. A alegria apoderou-se da cara do chefe. De dentro da tenda sai a parteira esfregando as mãos. -Parabéns chefe.. É um robusto menino de 3,5Kg.. Quer que embrulhe ou é para comer já?


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Há um canibal que apanha um avião. Durante o voo, vem a hospedeira e pergunta-lhe: - O senhor deseja a ementa? - Não, traga-me antes a lista dos passageiros!


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... Em cada 10 pessoas, 6 sabem contar. As outras 3 são ignorantes (Pahhhhhhhhhh)


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Um naufrágio. Três sobreviventes: dois homens e uma mulher. Vão parar a uma ilha deserta... Passado um mês resolveram matar a mulher devido à vida imoral que levavam. Passado mais um mês resolveram enterrá-la devido à vida imoral que levavam. Passado outro mês resolveram desenterrá-la devido à vida porca que levavam.


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Um jovem a lamentar-se a um amigo: - A minha vida é uma mer*da: o meu pai está preso, a minha mãe bêbada, a minha irmã prostitui-se, o meu irmão é drogado. A única coisa positiva que eu tenho na vida é o teste da SIDA.

Solidão


Perguntaram-me qual o meu maior medo! – Demorei. Remexi num estábulo do meu cérebro. Descobrir fobias e receios até então desconhecidos mas mesmo assim não fui capaz de responder directa e assimiladamente à questão. Pensei que seria a morte o medo de todos. Mas não é. A morte é o acontecimento, a ferramenta mais descreditada. Mas é ela que embeleza a vida. Que cessa sofrimentos. É por ela que vivemos . Ela é o retorno da viagem. O regresso que nos faz aproveitar ao máximo a nossa estadia. Descartei a morte.
Tenho fobia a abelhas mas nenhum medo físico poderá amedrontar minha alma. Não são estes medos que me insoniam as noites.
Procurei.
Triangulei emoções, sentimento, substantivos e aí sim. Aí encontrei aquela coisa específica que me faz tremer de essência. Este sentimento que assombra minhas esperanças, meus planos projectados e analisados. Sim. A solidão é o meu maior medo. Um sentimento, Uma Constatação Mórbida, fatigante, que demonstra uma perversão sádica. Uma situação muito dificilmente controlada. Já se imaginaram sozinhos? – Não sozinhos apenas por umas horas. Sozinhos anos e anos inteiros. Sem ter ninguém com quem falar, ninguém para quem olhar quando vemos ou fazemos algo transbordador das normas. Ninguém que nos responda, que nos acene. Nem um mero corpo estático a fazer nem que seja a mais discreta presença física. Ninguém. É viver num vácuo onde já nada se propaga. Nem voz, risos, lágrimas ou sentimentos. Viver desprovido de vida. Viver quase morte e aguardando por ela numa vida miserável. Coexistir com o vazio . Um vazio que se apodera de nos e mesmo tentando contorna-lo sentimos essa inexistência na cama. Num leito demasiado frívolo em nada acolhedor. A quem contar os nossos males, as nossas contrições? – A um rafeiro que nos escolhe? (não criticando a lealdade dos bichos) De certo que não iremos ver uma resposta muito elaborada saindo da boca deles. é esperar por um fim sem aproveitar nada. Sem transmitir últimos desejos, ultimas palavras. Conviver somente com a TV e o radio. Já não conseguindo esboçar nem o mais contido e forçado sorriso. Conviver com um monstro que cresce e minga de acordo com a força que temos, com a nossa vontade de viver. Porém esta é uma proporcionalidade injusta, já que a solidão apoderasse sempre um pouco mais e de forma interina das nossas almas fazendo com que as implacáveis investidas sejam ainda mais implacáveis. Mais dolorosas. Abatendo-nos mais, obrigando-nos a vergar nossos egos. Escravizam a nossa essência para trabalhar contra a esperança. Viver aprisionados até sermos apenas solidão. Ate nos transformarmos naquilo que sempre nos repudiou. Até esquecermos o que passamos anos a aprender. Ate esquecermos como viver. Então ai a morte é apenas um fado perfeitamente ajustável, uma fatalidade agradável. A morte termina com uma tortura irremediável, um tortura em tudo menos justificável, deleta mais um vagabundo maltratado.

Antes mal acompanhado do que sozinho

Polaridade Neutra






«Gato que brincas na rua»


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens institos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim
Todo o nada que és é teu,
Eu vejo-me e estou sem mim
Conheço-me e não sou eu.
                               Fernando Pessoa; Cancioneiro.

Carta de um militar



20 de Dezembro de 1916
Querida Mãe,
                Querida mãe, estou-lhe a escrever esta carta para dizer que eu e o pai ainda estamos vivos.
                Nem imagina como gostava de estar em casa consigo. Quem me dera voltar à minha velha vida, nao muito boa, mas muito melhor que o sofrimento que passamos diariamente aqui.
                Estou-lhe a escrever a partir de uma das trincheiras, arraneji um lugar menos molhado onde pudesse escrever minhas magoas e saudades.
                Já à três meses que não eramos atacados, três meses de puro tèdio, omtem fomos surpreendidos com gás venenoso. Não tinhamos máscaras, por isso tivemos de embeber panos em urina.
                Esta poderá ser a ultima vez que lhe escrevo.
                Não se preocupe com o pai. Ele está no bunker. Lá está mais quente e não há problemas de morrer porque é construído de betão e aço.
                Ando todo molhado. Nunca mudamos de roupa. No outro dia apareceram piolhos. As nossas  roupas foram para as caldeiras para lavar e ver se exterminavam os parasitas, mas ainda haviam ovos nas fardas que não morreram. Por isso, tivemos de queima-los com gigarros.
                A comida é pouca. Só comemos sopa e de legumes desidratados. De vez em quando guarnecidos com carne de cavalo que nos mesmos tiramos destes depois de mortos.

Estou a viver em valas de dois metros. Todas elameadas e muitos dos nossos homens morrem afogados na porcaria enquanto tiram os unícos minutos que podem para dormir.
                Vejo tanta gente a morrer na terra de ninguém, é quase impossível passar por lá: arame farpado, buracos feitos pelas bombas e granadas... São corpos putrefactos e amontoados... Ratos e se alguém conseguir passar por esta podridão então será varrido pelas metralhadoras.
                Estou cansado de tantas cenas horrorosas que me ferem física e psicologicamente. Nós não somos seres humanos, apenas maquínas destruidores e assasinas.
                Já estou tão mal que já nem sinto compaixão por ninguém neste campo de batalha. Isto está a tornar-me num monstro.
Despeço-me, desejando-lhe um Bom Natal.
Para a semana, se tiver vagar, torno-lhe a escrever.

                                                                             
                                                                                              Dos homens que mais a amam;
                                                                                              EM e pai.

P.S: Diga à Maria que a amo e que tenciono voltar em breve para juntos educarmos o nosso filho.

Papel Higienico


Lançando um olhar um pouco mais além do nosso limitado circulo de visão podemos constatar que a sociedade – mundo é triste. Triste, velha, ressequida, que chora, que larga fios contínuos de desilusão, infelicidade, ressentimento, em forma de cloreto de sódio.
Sociedade essa que larga todos esses pensamentos e angustias petrificantes em forma de choro e fezes. Quem seriamos nós se não o fizéssemos? – Provavelmente seríamos meramente constituídos por sal, agua (pouca) e fezes. Deixaríamos tudo cá dentro. Ainda bem que evacuamos tudo. Onde afogamos todas essas magoas? Num ombro amigo? – Não me parece boa ideia limpar as concentradas bolas de restos digestivos no casaco de veludo do nosso melhor amigo. LIMPAMOS AO PAPEL HIGIÉNICO. Choramos para ele, até há quem, em estado de desespero, escreva nele. O papel Higiénico purifica-nos a alma. Colector de lágrimas, ranho, cocó este pequeno objecto é como a suma para os caixotes de lixo colocados estrategicamente nas beiras de estrada. Quem está lá sempre? – O papel higiénico. Ate origami fazemos com ele. Verde, laranja, amarelo, rosa de folha única ou dupla, perfumada ou apenas com o cheiro de papel manufacturado. Desde a árvore este veio trazer-nos mais felicidade, cumplicidade e compreensão. Agrada a bêbados, toxicodependentes, doutores, futebolistas, ministros e agricultores. Nunca nos esquecemos dele. Está sempre lá, perto da sanita, na bolsa, no porta luvas de um carro. Acompanha nos sempre. Um inseparável amigo. Um incessante companheiro. Até quando morremos o nosso papel estará lá, a enxugar as lágrimas das nossas mães e mulheres. Serve para tudo. Literalmente tudo. Se todos nós tivéssemos um órgão de papel higiénico seria muito mais fácil absorvermos determinados sentimentos.  E se todos tivéssemos um cérebro de papel higiénico e a inteligencia fosse agua então textos destes seriam apenas exponencialmente executáveis.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Muahahahahaha!!!

- Papá, porque é que já estás a fazer a árvore de Natal se ainda só estamos em Junho?
 - Então o menino julga que com essa leucemia chega a Dezembro?!
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Uma família de sádicos vai dar uma volta de carro. No automóvel vai o marido, a mulher, o filho, o avô e a avó. De repente o pai abre a porta e empurra a avó, que se esborracha toda no chão. O resto da família começa a bater palmas muito contentes. Passado mais alguns instantes o puto abre a porta e empurra o avô, que fica debaixo de um camião. O jovem delira, assim como o resto da família. Mais à frente, a porta do carro abre-se e fecha-se logo a seguir e o puto pergunta: - Papá, o que foi isto? - Fui eu que empurrei a tua mãe. O jovem começa a chorar. - Estás a chorar de quê, filho da pu*a? - É que eu não vi.


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Dois bósnios estão numa trincheira, durante um bombardeamento:
 - Olha, eu tenho que cagar! 
- Ó pá, mas aqui na trincheira não, que eu não quero morrer na mer*da! 
- Ok, pá, vou sair!
 - Mas depois volta, que eu não quero morrer sozinho!
 - Tá bem, tá bem... Passam-se 2 horas e o outro não volta.
 Finalmente... 
- Então, pá, estava a ver que não voltavas! 
- Epá, encontrei uma gaja muita boa, toda nua! 
- E então? Fodeste-a toda? 
- Toda, pá! Foi espectacular! 
- E lambeste-a toda?
 - Ó pá, montes de vezes! 
- E ela fez-te um granda broche?
 - Ah, isso não, não encontrei a cabeça

Salazar? Maior Português?!



Salazar? Talvez o nome mais incomum. Singelamente apagado do registro civil. O homem que imortalizou semelhante nome não abonou nada a favor do mesmo. Porque odiamos tanto o nome do homem que sustentou Portugal sobre as suas terras? Oprimia, censurava matava estrangeiro e intrangeiro, encarcerava, torturava. Pois e salvava, preservava, burlava e enganava para bem do Português, extorquía resguardava. Sim, as pessoas torturadas já aqui não estão para espelhar o seu sofrimento e se ainda estiverem podem exibir em praça publica as marcas do seu sofrimento porque deveriam ser louvadas. Sofreram por Portugal. Tentaram mudar a nação. O que foi bom já que não existe grande ditador sem uma secreta oposição. Actualmente os efeitos da censura e do regime totalitário já pouco se reflecte na memoria lusitana. Pensemos porem que tão abominável homem salvou o saloio povo português da dupla eclosão bélica do século XX. Que seria do povo Português, de Portugal, se do alto da sua baixeza entrasse na guerra? – Nada nos aconteceria, teríamos portanto enviado cem mil homem, insanos, equipados com as mais tecnológicas e sofisticadas espingardas dos seus avós. Teríamos feito a balança pender para que lado fosse. Podíamos até criar uma guerra. Portugal e as suas ilhas, na aliança das azeitonas contra o minúsculo mundo inteiro. Não se constataria nenhuma baixa. Nenhum pais ousaria declarar guerra a tão velejada nação. Resuscutariamos Nuno Alvarez e com a celebre táctica do quadrado avançaríamos sobre a Europa. O nosso cilindro guerreiro esmagaria espadas e escudos. Depois sobre nos cairiam misseis. Bombas atómicas. Apenas anjos a descer, nos olhos de outro homem que não Salazar. Pois, seriamos hoje mundialmente conhecidos. Sim, seriamos portanto o centro do mundo, Um terreno em estado de calamidade por mais de oitenta anos, Estaríamos neste momento com milhares de pernas postiças e hérnias mas veríamos os nossos filhos na escola. Pelo menos isso veríamos. Sim na escola não a estudar mas sim a assentar tijolo de futura sabedoria. Salazar colocou-nos em tão mirifica e propensa obscuridade. E eu como pequeno português faço vénia a tão grande português. Antes matar cem do que não deixar nascer seis milhões.  

Olho-me





Olho-me. Miro-me obcecadamente. Intrigado descubro sempre qualquer forma nova, qualquer traço mais ou menos jovial. Revejo o que vejo num a ventosidade aleatória, num turbilhão de códigos binários e ADN. Minha face, minha alma, transmitem-me o que mais ninguém consegue. Intreperto-me com os olhos. Desfasando trilhos desconhecidos, caminhos por desvendar. Sou o mais velho amigo de mim mesmo. Mas não me conheço. Mudo graças a um ritual biológico precioso. Comecei a ver-me:
            Já um rapaz com rugas. Brechas quebrando cara, essência e esperanças. Rasgando-as interruptamente, como numa tortura que só sinto ocasionalmente. Tou feio. Medievalmente tosco, feições pré – Neanderthais, traços bárbaros. Lembro-me de ser giro. Giro, simpático e meigo. Agora sou apenas mais um. Um ogre anidro de sentimentos, desprovido de amor, sendo carregado por um vulto gélido.
Sim a vida, o sofrimento inerente a vida tem essa problemática, esse poder de transformação . De transfigurar o Bom. De transformar tudo isso numa óssea e rija carapaça de arrogância e altivez. Alguém se pode orgulhar de algo que sonha mudar quotidianamente? – não. E muito menos eu. Não me orgulho de apenas eu me conhecer por inteiro. Encaro todos os dias um papel. Já tentei que a sociedade de ajustasse a mim e o fracasso conduziu-me à mais incessante peça de Teatro. Mudo de carácter consecutivamente e escondo a luz. Reservo a luminosidade da minha alma a uma fatiota ridícula que uso sem preceito justificável. Escondo-me num dos ocultos escapes do fantoche e aí vejo que sou apenas mais um mero servo de tantos outros. E existem condicionantes pré-concebidas no ser Humano que o levam a acreditar no que as pessoas, esses monstros sociáveis, nos transmitem fisicamente, aparentemente, materialmente e só seguidamente, e depois de algum tempo vêem realmente a parte mais primordial de nós. Aquilo a que chamamos de interior. Até haver um iluminado, vivemos, vivo ostentando os insclarecidos ornamentos de um heterónimo que usamos por mera conviniência. Ninguém é excepção.  Penso até que sou o mais guarnecido jovem. Tenho inúmeras figuras dramáticas que convoco, mediante o acontecimento, a palco. Considero-me mais ignóbil sinal de uma torpe mudança na sociedade. Sou alto, assim como tantos outros, mas acendo vir a ser , a chegar, mais longe do que a minha arte e capacidade conseguem alcançar. Ouvi uma vez um velho que já só espelha a sua ressequida sabedoria quando o seu último neurónio, que navega, sem rumo bate contra as paredes cranianas. Ele disse-me que em toda a sua vida comparara o homem ao barro. Disse que somos moldados por muitos factores exóticos mas que só um é de responsabilidade nossa. Tento ser moldado por alguém. Um artista proeminente que me releve, mas nunca serei capaz de me revelar a alguém. Ninguém merece conhecer os calabouços dos meus já tíssicos passados. A vida é efemera. Tudo passa rapidamente, até mesmo o amor, o maior amor das nossas vidas, o mais portentoso relacionamento amistoso, até mesmo a morte é demasiado rápida para o  tempo que esperamos por ela. E eu não quero ser mais um veloz indigente de uma peça com um único acto. Tenho sonhos e esperanças, planos e ambições que requerem calma. Quero estender a minha rectidão e prudência a quem sentir privação das mesmas. Preservar o meu nome nas memórias alheias. Recalcar a minha história marcando-a nas linhas do inesquecimento. Pois no fim desta escalada a que chamamos vida, quando chegarmos ao cume da montanha, quero ser uma das mais bem moldadas obras de arte.

Imponderabilidade



Imponderabilidade é o estado em que não podemos discernir se estamos em um campo de gravidade zero ou em queda livre. Também é descrita como a sensação de ausência de peso. Considerando-se por exemplo uma pessoa no interior de uma nave espacial que cai livremente, observa-se que a taxa de aceleração desta pessoa e da nave espacial são as mesmas, e que a pessoa aparentemente não tem peso e flutua livremente. Durante a maior parte das fases de uma viagem espacial, os astronautas estão em estado de imponderabilidade. O corpo humano não está acostumado a este estado e em viagens muito longas, exercícios especiais devem ser realizados para que não haja efeitos negativos a longo prazo. Alguns cosmonautas da antiga União Soviética passaram um ano sob condições de imponderabilidade e parece que nenhum efeito de longo prazo resultou disso. Mas atenção o verdadeiro estado de imponderabilidade só pode ser atingido no espaço distante, longe de qualquer estrela ou planeta.