Perguntaram-me qual o meu maior medo! – Demorei. Remexi num estábulo do meu cérebro. Descobrir fobias e receios até então desconhecidos mas mesmo assim não fui capaz de responder directa e assimiladamente à questão. Pensei que seria a morte o medo de todos. Mas não é. A morte é o acontecimento, a ferramenta mais descreditada. Mas é ela que embeleza a vida. Que cessa sofrimentos. É por ela que vivemos . Ela é o retorno da viagem. O regresso que nos faz aproveitar ao máximo a nossa estadia. Descartei a morte.
Tenho fobia a abelhas mas nenhum medo físico poderá amedrontar minha alma. Não são estes medos que me insoniam as noites.
Procurei.
Triangulei emoções, sentimento, substantivos e aí sim. Aí encontrei aquela coisa específica que me faz tremer de essência. Este sentimento que assombra minhas esperanças, meus planos projectados e analisados. Sim. A solidão é o meu maior medo. Um sentimento, Uma Constatação Mórbida, fatigante, que demonstra uma perversão sádica. Uma situação muito dificilmente controlada. Já se imaginaram sozinhos? – Não sozinhos apenas por umas horas. Sozinhos anos e anos inteiros. Sem ter ninguém com quem falar, ninguém para quem olhar quando vemos ou fazemos algo transbordador das normas. Ninguém que nos responda, que nos acene. Nem um mero corpo estático a fazer nem que seja a mais discreta presença física. Ninguém. É viver num vácuo onde já nada se propaga. Nem voz, risos, lágrimas ou sentimentos. Viver desprovido de vida. Viver quase morte e aguardando por ela numa vida miserável. Coexistir com o vazio . Um vazio que se apodera de nos e mesmo tentando contorna-lo sentimos essa inexistência na cama. Num leito demasiado frívolo em nada acolhedor. A quem contar os nossos males, as nossas contrições? – A um rafeiro que nos escolhe? (não criticando a lealdade dos bichos) De certo que não iremos ver uma resposta muito elaborada saindo da boca deles. é esperar por um fim sem aproveitar nada. Sem transmitir últimos desejos, ultimas palavras. Conviver somente com a TV e o radio. Já não conseguindo esboçar nem o mais contido e forçado sorriso. Conviver com um monstro que cresce e minga de acordo com a força que temos, com a nossa vontade de viver. Porém esta é uma proporcionalidade injusta, já que a solidão apoderasse sempre um pouco mais e de forma interina das nossas almas fazendo com que as implacáveis investidas sejam ainda mais implacáveis. Mais dolorosas. Abatendo-nos mais, obrigando-nos a vergar nossos egos. Escravizam a nossa essência para trabalhar contra a esperança. Viver aprisionados até sermos apenas solidão. Ate nos transformarmos naquilo que sempre nos repudiou. Até esquecermos o que passamos anos a aprender. Ate esquecermos como viver. Então ai a morte é apenas um fado perfeitamente ajustável, uma fatalidade agradável. A morte termina com uma tortura irremediável, um tortura em tudo menos justificável, deleta mais um vagabundo maltratado.
Antes mal acompanhado do que sozinho

belo texto !!!
ResponderEliminarexatamente como eu estou pensando. Nao queria termira minha vida de um forma tão besta como essa não puxa deve ser dificil
ResponderEliminarmuito bem garoto
lindo !!!
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